PodePeste #2 - Arte e Tecnologia

PodePeste entrevista Prof Paulo Cunha

Paulo Cunha, Doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris I e professor de pós-graduação em Design da UFPE, participou nos anos 60 e 70 do movimento de cinema de super 8, e por grande de tempo se dedicou à teoria do cinema e das mídias digitais aplicadas à arte e ao processo criativo. No PODEPESTE ele nos fala sobre a relação tensionada entre Arte e Tecnologia. 


Ele analisa de que maneira a experiência artística se concretiza utilizando de um ponto de vista idealista/romântico, no qual o reconhecimento de um objeto como obra de arte está para além da matéria e muito mais atrelado a um domínio de criação. Ao explicar essa relação, Paulo cita Vilém Flusser* e Martin Heidegger*. 

 

IMAGEM DE FUNDO

 

Um dos momentos mais ricos na história do cinema feito em Pernambuco foi o ciclo de filmes em Super-8, que marcou a década de 1970 e a primeira metade dos anos 1980, com filmes rodados em bitolas de 8 milímetros. Cerca de 40 películas foram produzidas na época, várias delas premiadas e reconhecidas no mundo inteiro, influenciando o polo cinematográfico que se estruturou no Estado. Na imagem, Paulo Cunha (o segundo da direta para esquerda) participa de filmagens em Super-8.

Flusser, dizia haver a existência de uma reprogramação para os equipamentos,ou dispositivos, na qual sua função inicial era desviada pela reutilização e ressignificação deste mesmo objeto. Ou seja, um artista ao lidar com esse determinado dispositivo pode desviar seu uso e reprogramar esse aparelho, ressignificando-o e agregando-lhe uma dimensão artística. 

 

Em Heidegger a arte definia-se a partir de uma triangulação entre matéria, trabalho feito e o resultado artístico que ela produz. Essa ressignificação e desvio de função primária do dispositivo, nomes como os de Pablo Picasso* e Marcel Duchamp* se destacam, considerados inovadores pela configuração que suas obras tomam a partir de seus olhares artísticos.


Outro fato determinante, no seu ponto de vista, para intitular o objeto como obra de arte, encontra-se associado ao local onde aquele dispositivo está inserido. Cunha considera a factual necessidade de suportes e materiais para o acontecimento da arte, afirma que essa condição material da expressão artística é o que faz com que a tecnologia apareça e acrescenta que, conforme a tecnologia evolui, a possibilidade de expressão artística amplia.  
Para ficar por dentro dessa discussão, confira o nosso podcast! 


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